2.10.12
filo-café internidade: (contributos 4)
a internidade equinocial
o areal distendia-se no reflexo dos pés
deixava marcas trilhadas de esquecimento
enquanto reflectia a noite no estômago do mar
por perto as estrelas pendiam a espuma
os ventos sulares eriçavam a epifania da água
quentes jorravam no estalo da equidistância
pela humidade abrasiva que transbordava para dentro
desenhando o limite das algas nas pontas dos pés
o rugido era vagaroso como a vaga que ronrona
estendia-se perante a pulverização da roupa
a nudez era muda tocada pelo aguaceiro da chama
constante como tudo o resto que o não era
o corpo ígneo correu para o líquido amniótico
encontrou a fetalidade da memória que não tinha
lembrou-se do que nunca percebera
porque nascia em dança salgada erotizada de lua
existiam gritos que não se ouviam no choque das ondas
e maternidades que não se dão quando a onda se entrega
liquefacções dos átomos que ainda não se repulsaram
estão na centelha da eternidade eternamente perdida
a noite afaga o corpo húmido na internidade de um cosmos vazo
o caos sereno faz detonar gestos arrebatados
vibram pela epiderme fecunda de quem não existe
o prazer culmina no esperma misturado de espuma salina
o rumo inverso demonstra que o trilho não existe
que a erosão revolve pegadas para o caos
liso como o veludo celeste pintalgado de verdes que cintilam
o obscuro é alquimia da noite em dia de doses iguais
o corpo revolve para a memória e descobre que não existe
tudo o que estava permanece na mutação
mas o corpo soube que quando esteve foi deus
até que a areia lhe saísse dos pés para o esquecer
sentiste o corpo regressar ao útero mãe?
bruno miguel resende
23.9.12
filo-café internidade: contributos (3)
internidade
Que deus encontre a espuma dos seus dias.
Se
a água corre nos olhos e deus suga a alba pela retina, se o corpo se cobre de
lama pela imensidão da espuma, onde nos resta o fogo - o fulgor eterno e divino
do bosque, o indizível sono da nossa palavra? O enunciado amoroso do desespero.
Quem se julga descobrir nos textos que pronuncia - a cavalgada de emoções? Quem
ousa quebrar o rio, a torrente que encarcera os pulsos? Ferve-me este púbis, um
desejo de te foder pela boca e me verter pela língua, ombros da angústia,
enquanto me perco e me vislumbro o oceano extenso do meu sonho. Cerco-me das
árvores do teu sémen, da tua nudez. Quero cegar-me no horror da vida digital
durante as hipotéticas expectativas amorosas - os altericídios anterramados
pelo clarão neurótico. Arde-me as mãos. Quero foder-me. Quero foder-te. Come-me
o cérebro pela cona.
A água que aos olhos sangra é o corpo de deus emerso na alba do rócio da retina.
Carlos Vinagre
22.9.12
filo-café internidade: contributos (2)
Da possibilidade da internidade
As novas palavras estão para a língua
como as mutações genéticas estão para a biologia, fazem parte da permanente
evolução e tanto podem durar milénios como somente o momento da sua criação.
São também um factor da própria evolução. Surgem por mil e uma razões, por
raiva, por gozo e muitas vezes pela necessidade de enunciar uma ideia ou
designar um objecto, quando ainda não existe uma palavra correspondente. É
simples de imaginar que as palavras telefone ou televisão só tenham surgido
depois da criação destes curiosos objectos. É também assim a génese da
linguagem na criança. Esta começa por compreender mais do que consegue
exprimir. Portanto, o conteúdo precede a sua expressão.
E o contrário, será possível?
Será imaginável encontrar-se um sentido para uma palavra que ainda o não tenha?
E internidade será mesmo uma palavra? Parece que não é, pois nada significa.
Então, o quê é? Sons articulados. Porém, internidade ecoa a qualquer coisa,
pede um significado, o qual deverá surgir, a meu ver, não através de um
percurso semântico, dada a inexistência de um conteúdo dizível, mas de
analogias fonéticas.
Se um grupo de InComuns se juntasse numa praça dando
vivas à internidade, quem passasse, para além de se questionar sobre a saúde
mental ou a religiosidade dos manifestantes, ouviria vivas à eternidade. Coisa
com a qual a internidade não pode ter nada a ver. Internidade remete para a
intestinidade, para o seu de cada um.
Não equivale ao eu, não é o self, nem o adjectivo substantivado pela
psicanálise, o inconsciente e também não equivale ao insight.
Proponho que internidade seja o
lado interior de cada um, que cada pessoa em parte desconhece, podendo ser mais
visível aos olhos dos outros e que caracteriza cada ser humano. Dir-se-á, mas
para isso já existe uma palavra, personalidade. Porém, a noção de personalidade
implica a existência de muitos traços comuns a todos os seres humanos, o que é
verdade, e é da multiplicidade de incontáveis combinações e variações que
resulta uma determinada persona. A internidade será um conceito menos extenso e
menos claro. É o que é incomum, recôndito e próprio de cada um. É o que nos
representa por dentro e nos individualiza a todos. É o que faz com que um poema
possa conter coisas desconhecidas para o seu autor. É o que faz com que pessoas
muito parecidas possam não se encaixar e que as mais distintas se possam
conjugar.
José
Leal de Loureiro
21.9.12
filo-café internidade: contributos (1)
Internidade
Já não vais descalço pelas
margens do rio, já não roubas fruta nos quintais, nem jogas à macaca traçada no
chão. Nem sequer na tua memória há alguém interessado em convidar-te para
capturar girinos. Nem um fio de cabelo se mexe. Está tudo quieto e misterioso.
Talvez esperando uma fraqueza para te assaltarem, para serem elas as presentes
e não tu presente nelas. As recordações ficam estátuas e o único movimento que
te ocorre é o de um baloiço que acabou de parar. Às vezes revolves frases
familiares onde te procuras em ti, visto de fora. O tempo individual é uma
internidade relativa, quando te envolve com a emoção que te foi proporcionada
nos espaços.
Na órbita dos pensares um território de ninguém, talvez um limbo ou uma estrada. Quando acontece meditares pensas que é por ela que vais, sem encruzilhadas. Deixas que uma parte do interno solte as algemas com que o corpo o prendeu e, então, deslizas. Agora, o curso do olhar vai também fotografando a espuma, a ausência de margens. Na primeira comunhão sabias voltar-te para o altar e unir as mãos como nas estampas do livrinho branco, com um terço debruçado, olhar para a Virgem e pensar no céu como recompensa e o no inferno como castigo. Hoje e aqui parecem dissipar-se o medo e as ameaças. Já não chega com a mesma violência esse oceano de chamas que aterrorizava as noites pesadas. O inferno tornou-se na obrigação de pertencer a um externo sofrível, o céu na etiqueta da paz e da justiça moribundas. Ficaram na guerra, nos olhares dos ditadores e dos fascistas esses invernos de fora que te queimaram por dentro. Ninguém pode apagar os rasgos que se abriram no interior, as cicatrizes mais profundas. Através da viagem essa internidade come experiências. Se não fora a fé, aguentarias menos. Não pode ser apagado o que te formatou. Continuas a viagem e dizes que não há nada para além do vazio. Vês um enxame de estrelas que te fere os olhos, mas isso é de os fechares com muita força. Ouves a melodia cósmica do silêncio e perguntas por Deus. Ele não responde, mas isso é de teres problemas com a audição. O ruído assusta-te. Por isso afastas-te, cada vez mais. Há um campo aberto onde esperas deitar-te a contemplar as nuvens. Elas, compenetradas a formar uma mensagem para que leias, tornam-se carregadas. Foges da tempestade, mas isso é porque te esqueceste do guarda-chuva ao lado da porta que dava para o Sol. Voltando os olhos para o alto, cegas. Está tudo escuro e, perdido o tempo que acendia velas, soltas uma lágrima. Não sabes se cai de ti ou se é chuva a romper pelos olhos que davam acesso ao infinito. Não há pontes e resolves construir um círculo. Talvez te inscrevas nele ou sejas a própria inscrição do amor. Pensas que o amor não é nenhuma sucessão de Fibonacci e formas um puzzle com os pedaços que de ti se soltam, como lascas, como cascas. Sobre ti muitas camadas, em sobreposição, descamam-se, lentamente. Sentes-te nu e corres, como louco em fuga do manicómio. Depois serenas, mas não porque te injectem calmantes. A química tem um poder que não cabe em ti. Falas contigo, preenches o monólogo com a neve da lâmpada, mas o que acontece é que falas com uma quantidade de gente interna e externa. Perguntas por ti, nessa névoa onde te aglomeraste ao vento, mas ninguém sabe dizer-te. Sentes ser uma possibilidade, uma versão, um traço, um acorde. O resto é um aglomerado de círculos com membranas. A personagem que se matriculou na composição do abismo procedeu à compilação dos quadros da tua existência. Questionou a largura, a profundidade e, sobre o tempo real, a verdade e o artifício. A angústia conduz-te novamente à estrada. A noite finca-se nos passos de dentro. Habitam perguntas, mais do que respostas naquilo que ainda podes, naquilo que ainda dizes. Porém não sabes, nem o satélite no alto. Há demoras e todo um negrume que te engole vivo. Na interrupção do negro, um ou dois segundos de luz. E tão incerta será se não houver quem a sinta, quem a observe. Desprendes-te da estrada, da cidade, do país, do continente, do planeta, da galáxia e continuas preso ao pensamento – esse gracioso décor até pelo próprio desconhecido. Saindo, é sempre em ti que estás. Estando, é sempre com o sair que sonhas.
Marília Miranda Lopes
12.9.12
13.6.12
filo-café: electricidade (contributos)
foto: carlos silva
***
campanário luminário de
pesares
Donde surge a urze e os barrocos de granito se esboroam,
Johann Sebastian Bach e Frida Kahlo exsudam um tema
catártico de feridas e calos arcaicos na frontaria da capela
; por fora está “toda iluminada” e Edison (que traz sempre
um cristal quartzo no bolso) preferia lâmpadas económicas
ao néon azul em redor da rosácea; porém, não se despeja
no alto-falante por compaixão.
Deixo entrar o vestido, mas descoso os sapatos vermelhos
à boqueira.
Adentro está escuro
: nem candelabros poeirentos, nem velas de plástico frenético.
Farejo a pele de tronco talhado.
Acende-se um espelho no altar vazio
; um es-
pelho
de ca-
marim,
da en-
verga-
dura de um comum (i)mortal, predestinado
à notoriedade do suplício – vão na redenção
dos se-
te bili-
ões de
(ir)re-
refle-
tidos
peca-
dores
; pois,
o que
evolu-
ímos
nós
além
do plágio?
(Dadores de dores: eis o contágio.)
O tempo que foge,
(que mais não é do que o de
ambular p’lo espaço) e a gravidade
extrema lateral, que me confere às
janelas aquele semblante profundo e
d e s a m-
parado (por um processo similar ao
dos space shuttles) abandona-me
a ermida. Bebo d’a água benta.
Faço o sinal do coração, sem
os joelhos em dobra,
e conecto o
néo-cortex
às correntes.
] interlúdio [
Introduzo cinco
cêntimos na ranhura para a jukebox;
submerjo na Mikvah batismal até à garganta
com ares de santa e “O Cravo Bem Temperado”
; espamodicamente, o espelho – agora giratório –
reflete-me as cabeças. Eletrões-livres esvoaçam
contemporaneamente no paraíso da frequência
mais fiel ao meu Corpo, envolvido numa aura de
magnéticas maçãs trincadas. O néon e a jukebox
esgotam-se. Boyle dedica, pirotecnicamente, o
“Novo Fado Alegre” a Maomé, Moisés e Mãe Maria.
Alguns sorumbáticos fundamentalistas não sucumbem
ao vírus ecuménico desta obscura radiação; nem à fricção
do âmbar de Tales de Mileto. (Hélas!) “Palavras
loiras como
trigo” feitas de Luz, as que te digo, do cimo dos
meus doze porquês.
Ecoa o sino doze vezes, sem curto-circuito. Mergulho inteira e descalça
; auto-cobaia. Regresso, convicta, na Incerteza de Heisenberg;
algures, sem
agenda gregoriana ou maia. Leve e voltaica – incinero
a placenta deste lado do uni-
Verso.
texto: suzana guimarens
***
Com que então, Eletricidade
Declaração de interesses.
Primeiro, a minha formação é em línguas e literaturas
modernas, ramo de germânicas; segundo, não venho veicular conteúdos que fazem
parte de qualquer tese de licenciatura, mestrado ou doutoramento; terceiro, não
tenho ações na REN ou na EDP ou na Martifer, muito menos na Galp, na Shell ou
na BP e, finalmente, não recebi qualquer tipo de patrocínio pecuniário,
cultural, literário, industrial, elétrico, eletrónico ou informático
Posto isto, vamos ao que interessa.
Presume-se que saibam que a eletricidade faz parte da
natureza e que é uma das formas mais usadas de energia, que se consegue, por
exemplo, a partir do carvão, do nuclear, do sol, do vento, das ondas do mar, da
fricção de dínamos ou até mesmo da cera, tanto aquela que tem pavio e dá luz,
como a outra que, sem pavio, não dá luz mas carrega as baterias da língua, boa
ou má.
Presume-se também que saibam que raios e coriscos não
precisaram da habilidade e da sapiência do Franklin e do seu papagaio para
existirem, nem das capacidades e competências do Faraday e da sua gaiola, onde
o papagaio do Franklin nunca entrou, e muito menos da crueldade de Edison para
inventar a cadeira elétrica, a tal que sossega a consciência de muitos
norte-americanos, e não só, ao limpar certas comunidades de criminosos
indesejáveis.
Presume-se ainda que conheçam conceitos como corrente, - a
contínua e a alterna -, eletrão, ignição, faísca, eletromagnetismo, condutividade,
fluxo, tensão, fricção, fusível, voltagem, luz, calor, fogo e descarga. Para
não falar do cobre, o tal que agora é roubado, de dia e de noite, para ser
vendido na sucata mais próxima, à beira da estrada, ou na mais remota, no cu de
Judas e posteriormente ser recuperada pelas forças da ordem, para gáudio do
ministro da administração interna, estímulo dos analistas de dados e sossego de
muitos munícipes.
Falemos então de eletricidade.
Da electricidade que fez mudar o verde para o vermelho e que
vos obrigou a parar ali atrás, no cruzamento da 33 com a 20;
da eletricidade que carregou o vosso telemóvel, que
dentro de pouco tempo vos vai dar sinal de que há uma mensagem urgente para lerdes;
da eletricidade que alimentou os holofotes e gambiarras
deste palco, que foram umas vezes aplicadas e outras tantas subsituídas pelos
rapazes do Teatro Popular de Espinho que tanta peça têm conseguido trazer à
cena aqui em Espinho como noutras localidades do país;
da eletricidade que insiste em dar luz às lâmpadas da ode
trinfal de Álvaro de Campos;
da eletricidade que coloca um bate estacas numa pool
party da meia noite às 6 da manhã poum, poum, poum poum poum, a vibrar-vos as
janelas e a cama onde dormis;
da eletricidade que fornece energia e luz a fábricas que
produzem bombas de fragmentação patrocinadas por biliões de dólares de bancos
de vários países, alguns até fazendo crer que estão em situação financeira
pouco saudável para ver se recebem um bailout dos amiguinhos do costume;
da eletricidade cujos preços vão subir, avisou o Mexia.
Raios o partam, o honorário dele, claro.
Estamos a falar de quê? Ah, de eletricidade. Pois
continuemos.
Há 6 anos, a esmagadora maioria dos vogais com assento na
Assembleia
Municipal de Espinho esteve contra a redução da fatura da iluminação
pública do município e, consequentemente, contra a poupança de energia e contra
os objetivos estabelecidos pelo Protocolo de Quioto.
Ai não sabiam? Não se lembram? Eu conto tudo. Tudo começou quando o eleito pelo
bloco apresentou numa 2ª feira, dia 15 de maio de 2006, uma proposta no sentido
de a Câmara reduzir a fatura da iluminação pública. E como seria isso possível,
perguntarão. O proponente sugeria que a câmara pedisse à EDP para, de manhã,
fazer o favor de desligar a dita iluminação pública mais cedo, e, à noitinha, fazer
o favor de a ligar um pouco mais tarde. Tão simples como isto. E julgam que o
assunto ficou por ali? Não, senhores. A coisa era mais complicada do que
pensam. O super vereador da altura, - super porque estava em todas, tinha a
fama de conhecer e dominar o que na altura os especialistas chamavam dossiês - pediu
para informar que a Câmara já tinha, desde outubro de 2005, um grupo de estudo
a avaliar os consumos de energia a nível interno, de modo a preparar um plano
para melhorar o desempenho energético da autarquia. Ninguém na Assembleia sabia
disto. Haviam de ter visto as caras dos senhores vogais. Os maxilares
inferiores de alguns teriam caído se não estivessem devidamente apoiados numa
mão aconchegante. Concluindo a sua intervenção, o super vereador disse
qualquer coisa do estilo: “A renda que a EDP paga à Câmara chega para a
câmara lhe pagar o consumo da iluminação pública. E mais: a Assembleia pode
muito bem apresentar e votar unanimemente esta e outras recomendações do género
que a Câmara não as vais seguir porque já está a fazer o que se recomenda.”
Os eleitos pelo partido da mãozinha fechada, corroboraram
a ideia, apelidando a proposta de redundante. Os eleitos pela coligação alegaram
o bom funcionamento dos sensores que regulavam o ligar e o desligar da
iluminação pública e questões de segurança pública para abandonar a ideia de
pedir à EDP que, de manhã, desligasse as luzes mais cedo e, à noitinha, as
ligasse um pouco mais tarde. O mesmo pediram os eleitos pelo partido das
setinhas. Isolado naquela oca imensidão, o eleito pelo bloco retirou este ponto
que tanto uredo estava a provocar, mantendo, no entanto, o outro ponto da
proposta, que recomendava à Câmara que lançasse medidas para se poder poupar energia
e, consequentemente, o dinheiro tão necessário para tanto projeto de encher o
olho.
Finalmente, após muita parra, suor e saliva, estava
encontrada uma solução redundante, inócua, esvaziada de qualquer sentido
prático. Mas mesmo redundante, inócua e oca, a proposta mereceu uma abstenção e
os votos contrários de dois vogais que, não saciados, fizeram questão de
empanturrar a ata com declarações de voto, igualmente redundantes, inócuas e
ocas, tão redondas como os preopinantes.
Assim pensava e agia a esmagadora maioria dos legítimos
eleitos por Espinho. Agora é tudo diferente, tudo mudou. A eletricidade que
iluminava as ruas de Espinho de há seis anos já não é a mesma que agora as
ilumina. A que agora as ilumina já não tem a marca de água do Benjamim, do
Faraday, do Edison e do super vereador.
O seu logotipo sugere uma barragem com assinatura de um arquiteto
fashion, do regime. E insinua um tom esverdeado.
Estamos a falar de quê? Ah, de eletricidade. Pois concluamos,
com uma espécie de estória, já velhinha, por acaso.
O primeiro beijo do Pedrinho foi à pála da eletricidade. Ou
melhor, foi por falta dela. Trovoada súbita, salto de susto com o estrondo, e
depois, no inesperado escuro de carvão,
as mãos tateando colinas e vales, os lábios unidos, a faísca, o coração
a acelerar, a ribombar, cada vez mais acelerado, a tensão, a fricção, as cabeças juntas, a eletricidade estática dos cabelos...
Queriam mais? Acendam a luz!
***
texto: Octávio Lima
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