descrição

"Um filo-café é um triciclo. Movimenta-se pelos próprios. Não tem petróleo. A sua combustão é activada pelo desejo. Não se paga, não se paga. Apaga-se. E vem outro. Cabeças sem trono. Um filo-café lembra-se. Desaparece sem dor."

7.10.10

Res pública / Res privada

Filo-Café: res publica / res privada
9 Outubro 2010, 21h30
Clube Literario do Porto
Rua Nova da Alfandega,
Porto

Abertas as inscrições (gratuitas) nas seguintes áreas:
performance, história, escultura, artesanato, cerâmica, pensamento, música, audio-visual (máximo: 5m), poesia, pintura, pequena-comunicação, fotografia, .
Para inscrição, enviar mail (indicando nome e área de participação) para:

A participação no filo-café pode ser feita de 2 maneiras:
1-presencial (incluindo obras)
2-virtual através da publicação no blogue:

Participantes:

carlos silva (fotografia, porto), filipa aranda (performance, gaia), mónica (performance), anolgo (performance), alexandre teixeira mendes (pensamento, porto), carlos vinagre (poesia, espinho), alberte moman (poesia, compostela), eva mendez (poesia, barcelona), virgílio liquito (poesia, espinho), alfonso láuzara (poesia, vigo), joão silva (crítica, gaia), elisabete pires monteiro (vídeo, porto), paulo alexandre e castro (pensamento, lisboa), raul simões pinto (poesia, porto), sacha habermann (pintura, porto), henrique dória (poesia, porto), alberto augusto miranda (musica, porto), alba mendez (poesia, compostela), elvira riveiro (cerâmica poética, cuntis), silvia penas (poesia, vigo), paulo pires (artesanato, gaia), sónia mesquita (artesanato, gaia), carina posse (música, leipzig), iolanda aldrei (poesia, compostela), lois gil magariños (vivência, rois), ramon cruces (vivência, compostela), anton rivas (vivência, compostela), manolo pipas (poesia, vigo), josé leite (pintura. vila nova de gaia), begoña g. arce (desenho, vigo), ana almeida santos (poesia, porto), manoel bonabal (pintura, cambados), mar nicolas (poesia, barcelona), maria carvalho (poesia, matosinhos), daniel xassbit (performance, montemor-o-novo), antónio pedro ribeiro (poesia, porto), amílcar mendes (poesia, porto), fátima vale (performance, vila real), bruno miguel resende (performance, vila real).

Contributos:

Rés/Récita Privada dum Público Amontoado

R/Pública ou Privada: ponto de encontro, das astenias consumidas, afanadas, daquilo que se projecta na culpabilidade assumida. Não se isenta ela, nem que a vaca tussa, por quem não faz, que não pensa, nesta monarquia dissimulada. Podem ser as punhetas, delas se fala, quase solitárias, são o exemplo nunca acabado das miragens voluptuosas que na vida privada, reflectem o cio público. Os poderes públicos atiçam a ignominia privada. Dão-lhe aflições de desordem pública, accionando os seus cacetes em lombos sobre a dita, dos ditos lhes infligem dores privadas. Entretanto em qualquer ânus privado solfejam as caganeiras assimétricas no público nunca privado. E não escasseiam os Patriarcas, que pensam obrar pela cloaca dos outros , naquilo que é privado, do que é tornado público, por muito que reaja como privado. E o reu, ou ré, já não têm liberdade, pois lhes foram sugado a liberdade de não aceitar serem público o que decidiram ser-lhes útil de preceito privado. E não faltam julgamentos aos réus tornados públicos, entremeados por cabeças privadas contra as liberdades de todos os sentimentos, que não os obrigam a defender a sua privacidade.
Então a Récita:
-Que Ré esta, que despejaste na alcova os gritos dum tesão surdo, nem que privado, à luz cinzenta, de tudo que não parece ser público.
Que Rés esta que espia a Ré, a Mãe que nos mostra as tetas quando lhas chupamos, depois de nos tornarmos públicos.
Que nos seja privado o direito de fuga, do estertor, da gnose que nos entulha.
Que não nos impede de ser, simplesmente, Republicanos, nesta Monarquia Privada.

Virgilio Liquito


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Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.


Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira a falsificação, violência ao roubo, donde provem que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis.

Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País. [.] A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas; Dois partidos [.] sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, [.] vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar."

texto de: Guerra Junqueiro, "Pátria", 1896.

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fotografia de: sandra guerreiro dias



pintura de: josé leite

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res pública / privada
fotografia de: carlos silva

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voz de bruno ganz

(e=76)

e então, deus teve de cobrir o mundo



mas como deus é um senhor
quis cobri-lo com método e elegância
e perguntou deus:
.................................o mar, como hei-de cobri-lo
.................................com hijab ou com niqab?
(e viu deus que a pergunta era boa
e que era bom dizer aquelas palavras)
..................................é o mar só cabelo e pescoço
..................................ou rosto inteiro à excepção do olhar?

e como há-de deus cobrir a imagem
de mademoiselle caroline rivière
a olhar para nós há mais de dois séculos
desde as galerias do musée du louvre?
(assunto bem sério, este)
talvez um chador de ar puro e fresco
para adiar a burqa durante um ano mais...

[e hei-de eu deixar que me cubram a alma
como se ela fosse carne para canção?
ou tenho o rasgo de um anti-christo
e dou à luz a revelação?]

poema de: pedro ludgero

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ÁRVORES DA RES PÚBLICA

Acácias há muita
suma da res pública
como a dos pedreiros
que se não sabe qual seja
e outra dos carpinteiros
ou da res mais privada
que há-de ser outra entre elas
e nada disto
pois pode ser árvore de outro género
e de outra família
como eu.

Caso para falar de símbolos
mas não aqui
este lugar destina-se à criação
e os símbolos figuram todos nos dicionários.

Não concorda?
Então veja
vamos à Internet buscar uma qualquer citação
não preciso de me esforçar mais do que isto:

A Acácia: planta símbolo por excelência da Maçonaria; representa a segurança, a clareza, e também a inocência ou pureza. A Acácia foi tida na antiguidade, entre os hebreus, como árvore sagrada e daí sua conservação como símbolo maçônico. Os antigos costumavam simbolizar a virtude e outras qualidades da alma com diversas plantas. A Acácia é inicialmente um símbolo da verdadeira Iniciação para uma nova vida, a ressurreição para uma vida futura.

NA LENDA DE H.'. A.'.

Ao cair da noite, o conduziram para o Monte Mória, onde o enterraram numa sepultura que cavaram e assinalaram com um ramo de Acácia. Quando, extenuados, os exploradores enviados pelo Rei Salomão chegaram ao ponto de encontro, seus semblantes desencorajados só expressaram a inutilidade de seus esforços... Caindo literalmente de fadiga, (um)... Mestre tentava agarrar-se a um ramo de Acácia. Ora, para sua grande surpresa, o ramo soltou-se em sua mão, pois havia sido enterrado numa terra há pouco removida. Esse “ramo de Acácia” criou vida própria, cresceu e tornou-se o maior Símbolo do Grau de M.'. M.'..

Em outra versão, os M.'. M.'. que foram à procura do Mestre H.'. A.'. encontraram um monte de terra que parecia cobrir um cadáver, e terra recentemente removida; plantaram ali um ramo de Acácia para reconhecer o local. Conforme uma terceira versão, a Acácia teria brotado do corpo do Resp.'. M.'. morto, anunciando a ressurreição de Hiram.

Sendo a morte de H.'. A.'. uma lenda, resulta evidente que existam diferentes versões, mas o importante é que todas elas coincidem em dizer que na sua sepultura surgiu um ramo de Acácia.

[Em: http://www.maconaria.net/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=149 com algumas emendas.]

Foi a parte final da lenda da morte
do Respeitável Mestre Hiram Abif
arquiteto do Templo de Salomão
e nobre maçon carbonário
se atendermos a que é de madeira que tratamos
e dos nobilíssimos cedros
que fez para a Grande Obra
transportar dos longes do Líbano.

De cedros sei um pouquinho
o bastante para erguer um ramo de Cupressus
em honra da Venerável Mestra República
cortado ali mesmo em Lisboa
na Praça do Príncipe Real
que D. José era
o moço infante que não chegou a reinar
por ter morrido de varíola.

De cedros sei igualmente
que o famoso cedro lusitânico
nem é Cupressus nem lusitanica
antes se calhar um híbrido
criado por Brotero
Vandelli
Correia da Serra
ou Veloso de Miranda.

De cedros sei algum tanto
mas de acácias
nem um pouco.
De acácias só conheço a mimosa
tão fulgurante na sua poeira de oiro
parece menina assisada
mas é a puta de uma praga
que alguém trouxe da China
deslumbrado com os seus cabelos louros.

Não
de acácias sei muito pouco.
Quem quiser saber o simbolismo das árvores
consulte os dicionários.
Da floresta
entendo outras coisas -
a ligação materna às fontes da obscuridade
sei da seiva leite negro
do sangue que escorre pelos dedos
doce lambido em segredo
longe dos olhares de polícia
que é todo o ser humano inculto
como eu.
Deito-me ao comprido nas pranchas
de um futuro esquife
dou vivas à República
e deixo-me depois
Mestre superior a mim
aplainar as cicatrizes de cortiça
de Quercus suber
que é a minha própria casca.

[Do caderno de poemas intitulado Arboreto, que ainda está a escrever-se,entre Porto e Britiande, nos meses de Setembro e Agosto.]


texto de: maria estela guedes

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Res-pública vs res-privada

Entre um poder absoluto
e um absoluto poder
entre o que se promete
e efectivamente se dá
entre o que se quer igual
e efectivamente se distingue
entre o que se escolhe
e efectivamente é imposto...
está o indivíduo
igual a todos os outros
de quem subtilmente se distingue...
está a razão de ser
da luta quotidiana
pela afirmação de cada um...
está a contradição
do dizer e do agir
num emaranhado de progresso e regresso...
está a duração do tempo
que nos foge e perpetua
o melhor e o pior de tantos afazeres...

texto de: A. Sarmento Manso

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Misterioso e voraz


O amor escrito nas estrelas,
pedra e asfalto nas ruas,
chuva que desaba nos rios,
encanto e mistério,noites e esquinas...

Traz impresso em segredo
o encontro de almas e desejos,
revela um olhar que surpreende,
é feito nuvem quando deixa ver o sol.

Um amor assim deixa rastro,
tem poesia e pecado,
amar num mundo de guerras,
amar num mundo que tem fome,
amar num mundo que não aceita as diferenças.

Então o amor mais possível
é aquele que desafia o seu tempo,
algo misterioso e voraz,a certeza que de tudo é capaz,
amar na guerra e na paz.

texto de: Adriana Janaína Poeta

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3.9.10

wabi - sabi (ponferrada)


Filo-Café: Wabi - Sabi

3 Setembro 2010, 21h

Café de Arles

Calle Ancha, 18

Ponferrada



Abertas as inscrições (gratuitas) nas seguintes áreas:

escultura, artesanato, cerâmica, pensamento, música, audio-visual (máximo: 5m), poesia, pintura, pequena-comunicação, fotografia, performance.

Para inscrição, enviar mail (indicando nome e área de participação) para:

filocafes@gmail.com


A participação no filo-café pode ser feita de 2 maneiras:

1-presencial (incluindo obras)

2-virtual através da publicação no blogue:

http://filo-cafes.blogspot.com


A mixtura conceptual, numa secante ao realejo da teoria prototípica, liberta o frenesim dos moldes onde se embalam neuras e depressões. A permanência do jacto onde mergulham as sinapses mais afoitas, descategoriza a emissão e desmecaniza o processo. O rótulo que os legitimadores alimentam deixa de ter colo nas mãos de quem prodigaliza a rótula. O que se torna belo sem prioris? Que caixas de veneno se envenenam com a dispersão do seu distintivo de autoritas? Será livre a beleza? Se um desenho se matricia pela bidimensionalidade e distorce o uso em volutas transferenciais, a beleza no seu fluir exala os fumos do tempo executante e condensa, por atração, o desejo do inacabado, do acrescento e mesmo da mera interferência. Nunca fica só_lida.



Inscritos:

Alberto Augusto Miranda (pensamento, Portugal), Alfonso Fernández Manso (artista grafico y ambiental. España), Ana Jiménez (escultora. Premio nacional de las artes, España), Bernabé Moya (artista ambiental. España), Carlos Silva (fotografia, Portugal), Carlos Vinagre (poesia, Portugal), Gerardo Queipo (ceramista, escultor, España) Gullu Sen (artista gráfico y publicista. Delhi. India), Hisae Yanase (artista plástica, performance, escultora. Japón), Iesaka Ruriko (artista plástica, Ikebana, Sodho. Japón), Iolanda Aldrei (poesia, Galiza), Italo Chiodi (artista, arte brera de Milán, Italia), Javier Suañez Zorrilla (artista plastico, Ponferrada. España), Madhur Sen (ceramista. India), Marcos Miguelez (artista plástico y ambiental, España), Puja Sen (arte visual, India), Vicente Pastor (artista, España), Virgílio Liquito (poesia, Portugal), Wali Hawes (ceramista, escultor, sociologo, Bombay, India), Pedro Lamas, Ramon Cruces, Antonio Rivas e Lois Magariños - Ad Hoc (grupo de acción poética, Galiza), Ramiro Vidal Alvarinho (poesia, Galiza), Belem Grandal Paços (poesia, Galiza), Juliana Azevedo (fotografia, Portugal), Fermín Lopez Costero (poesia, Espanha), Rubén Fernandez Sanchez (gravura, Galiza)


Contributos:

Da fuga…, via Ponferrada.

Naquela madrugada, o roncar das ferrovias, os tumultos da continuada fuga. Ficava à retaguarda, o estrondar das bombas. As correntes de água, o cascalho de ferro, o desabar das galerias. Os mortos, o voar do meu corpo, na boca da mina. Minério, o ferro, os vagões, a gelemonite. Os berros de sangue incandescente… E as pulgas, pelas tarimbas de quem nas mina trabalhava, pululavam de alegria, carne fresca, ainda. Mais a fome incrementada. A água, quente de nada, aquecia, a fruta roubada. O lenço roxo, pelo pescoço, a vaidade, a frescura dos hipies, a promessa à rapariga dada. O meu caceteiro, o pai, o velhote, de nada. A mãe atraiçoada, o filho, um mineiro em Ponferrada. "Que cortau o el pelo, que não levas nada".

(continue a ler aqui)

texto de: virgílio liquito
***

FOCHANCA LAMACENTA

Ficaste afundido na fochanca lamacenta dos delírios
mentres eu estendia a mao para puxar por ti com força
continuavas berrando coma um animal fero e raivoso
dando ordens e agitando-te tudo até por fim esbarar.

assim soltei a mao e vi como caias até chegarem ao fundo
desde abaixo agatunhavas pela ladeira inclinada do foxo
mas agora já sem mao que te sustente para poder erguer
o pesado egoismo que vem sendo a senrazom dos idiotas

já nom sentia mais nada que o meu coraçom agradecido
pola decisom de afastar-me dos perigos a me ajejarem
dia após dia, noite após noite a cada instante e momento
sem rancor e decidida a dirigirem o timom da minha nave

dumha nave que até há pouco se submetia a tua viragem
sempre com o risco quase de naufragarmos entre tuas marés
agitadas violentamente pelo temporal que açota tua neura
e arremetias contra mim com as ondas dos teus desvarios

mas as tempestades precipitam com aguaceiros intensos
trevons e ventos soprando com grande intensidade e fúria
descarregando e profanando os imensos templos naturais
onde meu corpo e espírito tremiam sem topar acuvilho

logo chegava a calma e avaliávamos os danos causados
emitindo um comunicado onde minha natureza específica
era o motivo de tudos os erros cometidos nesta relaçom
só possíveis de arranjar através da tua mao punidora.

e eu acreditava na minha parte de culpa e no meu castigo
sem procurar na minha consciência pobre por alienada
Algo lá no ceu dissipou a névoa que cobria meus olhos
com sua albura e redondez brilhante tornado em deusa

Nessa noite serena sem tempestades nem perturbaçons
quando ao cair da noite venus emerge no firmamento
para inaugurar o ceu nocturno com seu fulgor estrelar
deitei fóra a lama borralhenta ficando tu só na fochanca.

poema de: belém grandal paços

***
tranquility

fotografia de: juliana azevedo


fotografia de: carlos silva


Rua de Pracer


Na rua de pracer há todas as diagonais
Possíveis a um pensamento

Na rua de pracer as prostitutas ficam
À porta à espera de quem passa
Não há nenhuma beleza aparente nisto
Só a dura realidade da vida

Na rua de pracer as mulheres não esperam
Por mais nada
A não ser por qualquer homem que lhes
Agrade

Nesta rua os edifícios têm paredes brancas
E as portas têm ombreiras de granito

Tudo parece ser o abismo de que é feito
Qualquer rua
Onde se viva em condições precárias

Na rua de pracer não há nada para ninguém
Só as duas refeições diárias necessárias
Para viver
Se forem à rua de pracer arriscam-se!

Poema de: Rui Souto

30.7.10

Filo-Café Fazeres Peninsulares (Vila do Conde)

30 Julho 2010, 21h30m
Filo-Café: Fazeres Peninsulares
Café-Concerto
Centro Municipal da Juventude
Av. Júlio Graça
Vila do Conde


Abertas as inscrições (gratuitas) nas seguintes áreas:
artesanato, cerâmica, pensamento, música, audio-visual (máximo: 5m), poesia, pintura, pequena-comunicação, fotografia, performance.
Para inscrição, enviar mail (indicando nome e área de participação) para:
filocafes@gmail.com

A participação no filo-café pode ser feita de 2 maneiras:
1-presencial (incluindo obras)
2-virtual através da publicação no blogue:
http://filo-cafes.blogspot.com


inscritos

artesanato: Pedro Rio Bom (porto), Carla Mota (sta. maria da feira), João Gomes, Sara Teixeira, Ricardo Campos, Rosa Rosell, Pilar N. Pomeda, Carlos San Claudio Rodriguez, Andrés Oslé Fadón, Maria Renea, Sérgio Amaral, Oscar Herrero, Maria Sierra, José Loura, Dandra Silva, Alexandro Bayón, Sara Ortin, José Juan Olalde, Maria João (espinho),
dança: Mafalda Cancela,
música: Alberto Augusto Miranda (vila do conde), Carlos Marques (barcelos)
poesia: Aurelino Costa (argivai), Carlos Vinagre (espinho), António Pedro Ribeiro (porto), Henrique Dória (porto), Susana Guimaraens (vila nova de gaia), Luís Serguilha (famalicão),Carlos Durão (galiza), Iolanda Aldrei (compostela), Virgílio Liquito (porto)
pintura: Elisabete Pires Monteiro (boticas),
pensamento: Alexandre Teixeira Mendes (porto), Henrique Dória (porto)
fotografia: Mariis Capela (sintra), carlos silva (porto),
instalação: Narcisa Nené Barbosa (porto),

Lucia Lopez (baiona), António Pinheiro (póvoa de varzim) ,

Contributos:






Fazeres peninsulares


Entre as ondas do mar e os picos dos montes
há um pedaço de terra que teima em ficar
nos traços mais ou menos coloridos das estações do ano.
As fardas dos exércitos de quando em quando
esventram esses lugares de promissão
que teimosamente vão sobrevivendo a tantas loucuras.
Pesínsula, a nossa, designada de Ibérica
que acolhe povos diversos em sã complementaridade.
Depois de tanto penar, neste pedaço do mundo
os tons, os sons, as grafias, os pensamentos...
unem-se agora num querer próximo
que o futuro há-de poder realizar!

Sarmento Manso



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dança...

fotografia de: mariis capela

***


Fitei - Voalá 079

fotografia de: carlos silva


***

As navalhas da densidade metafórica arrancadas ao sangue primitivo-estelar das esfinges sobrevivem às desassossegadas ancas das víboras (cavalgada irremissivelmente escoada na respiração vivaz das coincidências das baleeiras-filiais-da-semanturgia onde o geografismo de PAVESE leva os equinócios dos fluxos corporais, a nutrição dos asteróides até ao ÓREKSIS de LANGHE): rotas feiticeiras dos gadanhos-dos-pilotos farejadores das cabeleiras-vegetais-dos-elefantes-paradisíacos OU dos TARAHUMARA de ARTAUD ou das flechas giratórias-iluminadas pela imobilidade das escutas-das-faúlhas-arteriais: embriaguez das desflorações oculares/angulares a elevar a pulsação do Alasca-poético quando a ciência abismada dos látegos-dos-refúgios se inclina na exposição do minucioso bicho descobridor da rosa-embrionária-dos-furacões e do AIÔN da vastidão LAVORARE STANCA: flexível ascensão dos bichos-das-filigranas-das-crateras como bandos concêntricos e sazonados a descerrarem as vozes das campânulas nas probabilidades-da-gravitação da astralidade que reúne as arquitecturas luminosas das cesuras “Gaudí-acrobático” para embalarem e lapidarem os compromissos das gargantas migratórias nos últimos chamamentos das onomatopeias matinais:

(continuar a leitura aqui)

texto de: Luís Serguilha


***

Irmão corpo

O teu corpo não é teu:
é dele; mas és tu,
que manda, nele;
com carinho, com amor;
mas, a dor, é tua, e o prazer.
O teu corpo não és tu:
é irmão, teu, e não tem
querer: és tu que tem
de ter: pois diz-lho, assim!
Ele, só, se quer, a si:
tu qué-lo, a ele, e a ti;
mas, afinal, és tu,
que tem: de decidir...

poema de: carlos durão



***

Proposta, …



Esquecera-me do sítio. Não fluía Luar, ou coisa parecida. Sibilava-me o ar seco, reverberando-me…

Em volta da língua.

Da terra, fluíam os vapores, as humidades, que nos toca.

Estava perdido, de esquecimento, do que ousara ter, algum dia, de luz fosca, de não ter feito.

Não estava, ainda, corroído, porém, mas, estrafegado. A noite, que se fora, não me deixara da dor. Mais uma vez, me aturdira: ouvia: procura o teu esquecimento, é quase te amigo, luz intrínseca que te acompanha. Serás forte, nem que o guardanapo sofra, de nostalgia, da tua amante Companheira. Por ali te quedaste, por lá a encontrarás.

(continue a ler este texto aqui)

texto de: virgílio liquito