descrição

"Um filo-café é um triciclo. Movimenta-se pelos próprios. Não tem petróleo. A sua combustão é activada pelo desejo. Não se paga, não se paga. Apaga-se. E vem outro. Cabeças sem trono. Um filo-café lembra-se. Desaparece sem dor."

3.9.10

wabi - sabi (ponferrada)


Filo-Café: Wabi - Sabi

3 Setembro 2010, 21h

Café de Arles

Calle Ancha, 18

Ponferrada



Abertas as inscrições (gratuitas) nas seguintes áreas:

escultura, artesanato, cerâmica, pensamento, música, audio-visual (máximo: 5m), poesia, pintura, pequena-comunicação, fotografia, performance.

Para inscrição, enviar mail (indicando nome e área de participação) para:

filocafes@gmail.com


A participação no filo-café pode ser feita de 2 maneiras:

1-presencial (incluindo obras)

2-virtual através da publicação no blogue:

http://filo-cafes.blogspot.com


A mixtura conceptual, numa secante ao realejo da teoria prototípica, liberta o frenesim dos moldes onde se embalam neuras e depressões. A permanência do jacto onde mergulham as sinapses mais afoitas, descategoriza a emissão e desmecaniza o processo. O rótulo que os legitimadores alimentam deixa de ter colo nas mãos de quem prodigaliza a rótula. O que se torna belo sem prioris? Que caixas de veneno se envenenam com a dispersão do seu distintivo de autoritas? Será livre a beleza? Se um desenho se matricia pela bidimensionalidade e distorce o uso em volutas transferenciais, a beleza no seu fluir exala os fumos do tempo executante e condensa, por atração, o desejo do inacabado, do acrescento e mesmo da mera interferência. Nunca fica só_lida.



Inscritos:

Alberto Augusto Miranda (pensamento, Portugal), Alfonso Fernández Manso (artista grafico y ambiental. España), Ana Jiménez (escultora. Premio nacional de las artes, España), Bernabé Moya (artista ambiental. España), Carlos Silva (fotografia, Portugal), Carlos Vinagre (poesia, Portugal), Gerardo Queipo (ceramista, escultor, España) Gullu Sen (artista gráfico y publicista. Delhi. India), Hisae Yanase (artista plástica, performance, escultora. Japón), Iesaka Ruriko (artista plástica, Ikebana, Sodho. Japón), Iolanda Aldrei (poesia, Galiza), Italo Chiodi (artista, arte brera de Milán, Italia), Javier Suañez Zorrilla (artista plastico, Ponferrada. España), Madhur Sen (ceramista. India), Marcos Miguelez (artista plástico y ambiental, España), Puja Sen (arte visual, India), Vicente Pastor (artista, España), Virgílio Liquito (poesia, Portugal), Wali Hawes (ceramista, escultor, sociologo, Bombay, India), Pedro Lamas, Ramon Cruces, Antonio Rivas e Lois Magariños - Ad Hoc (grupo de acción poética, Galiza), Ramiro Vidal Alvarinho (poesia, Galiza), Belem Grandal Paços (poesia, Galiza), Juliana Azevedo (fotografia, Portugal), Fermín Lopez Costero (poesia, Espanha), Rubén Fernandez Sanchez (gravura, Galiza)


Contributos:

Da fuga…, via Ponferrada.

Naquela madrugada, o roncar das ferrovias, os tumultos da continuada fuga. Ficava à retaguarda, o estrondar das bombas. As correntes de água, o cascalho de ferro, o desabar das galerias. Os mortos, o voar do meu corpo, na boca da mina. Minério, o ferro, os vagões, a gelemonite. Os berros de sangue incandescente… E as pulgas, pelas tarimbas de quem nas mina trabalhava, pululavam de alegria, carne fresca, ainda. Mais a fome incrementada. A água, quente de nada, aquecia, a fruta roubada. O lenço roxo, pelo pescoço, a vaidade, a frescura dos hipies, a promessa à rapariga dada. O meu caceteiro, o pai, o velhote, de nada. A mãe atraiçoada, o filho, um mineiro em Ponferrada. "Que cortau o el pelo, que não levas nada".

(continue a ler aqui)

texto de: virgílio liquito
***

FOCHANCA LAMACENTA

Ficaste afundido na fochanca lamacenta dos delírios
mentres eu estendia a mao para puxar por ti com força
continuavas berrando coma um animal fero e raivoso
dando ordens e agitando-te tudo até por fim esbarar.

assim soltei a mao e vi como caias até chegarem ao fundo
desde abaixo agatunhavas pela ladeira inclinada do foxo
mas agora já sem mao que te sustente para poder erguer
o pesado egoismo que vem sendo a senrazom dos idiotas

já nom sentia mais nada que o meu coraçom agradecido
pola decisom de afastar-me dos perigos a me ajejarem
dia após dia, noite após noite a cada instante e momento
sem rancor e decidida a dirigirem o timom da minha nave

dumha nave que até há pouco se submetia a tua viragem
sempre com o risco quase de naufragarmos entre tuas marés
agitadas violentamente pelo temporal que açota tua neura
e arremetias contra mim com as ondas dos teus desvarios

mas as tempestades precipitam com aguaceiros intensos
trevons e ventos soprando com grande intensidade e fúria
descarregando e profanando os imensos templos naturais
onde meu corpo e espírito tremiam sem topar acuvilho

logo chegava a calma e avaliávamos os danos causados
emitindo um comunicado onde minha natureza específica
era o motivo de tudos os erros cometidos nesta relaçom
só possíveis de arranjar através da tua mao punidora.

e eu acreditava na minha parte de culpa e no meu castigo
sem procurar na minha consciência pobre por alienada
Algo lá no ceu dissipou a névoa que cobria meus olhos
com sua albura e redondez brilhante tornado em deusa

Nessa noite serena sem tempestades nem perturbaçons
quando ao cair da noite venus emerge no firmamento
para inaugurar o ceu nocturno com seu fulgor estrelar
deitei fóra a lama borralhenta ficando tu só na fochanca.

poema de: belém grandal paços

***
tranquility

fotografia de: juliana azevedo


fotografia de: carlos silva


Rua de Pracer


Na rua de pracer há todas as diagonais
Possíveis a um pensamento

Na rua de pracer as prostitutas ficam
À porta à espera de quem passa
Não há nenhuma beleza aparente nisto
Só a dura realidade da vida

Na rua de pracer as mulheres não esperam
Por mais nada
A não ser por qualquer homem que lhes
Agrade

Nesta rua os edifícios têm paredes brancas
E as portas têm ombreiras de granito

Tudo parece ser o abismo de que é feito
Qualquer rua
Onde se viva em condições precárias

Na rua de pracer não há nada para ninguém
Só as duas refeições diárias necessárias
Para viver
Se forem à rua de pracer arriscam-se!

Poema de: Rui Souto

30.7.10

Filo-Café Fazeres Peninsulares (Vila do Conde)

30 Julho 2010, 21h30m
Filo-Café: Fazeres Peninsulares
Café-Concerto
Centro Municipal da Juventude
Av. Júlio Graça
Vila do Conde


Abertas as inscrições (gratuitas) nas seguintes áreas:
artesanato, cerâmica, pensamento, música, audio-visual (máximo: 5m), poesia, pintura, pequena-comunicação, fotografia, performance.
Para inscrição, enviar mail (indicando nome e área de participação) para:
filocafes@gmail.com

A participação no filo-café pode ser feita de 2 maneiras:
1-presencial (incluindo obras)
2-virtual através da publicação no blogue:
http://filo-cafes.blogspot.com


inscritos

artesanato: Pedro Rio Bom (porto), Carla Mota (sta. maria da feira), João Gomes, Sara Teixeira, Ricardo Campos, Rosa Rosell, Pilar N. Pomeda, Carlos San Claudio Rodriguez, Andrés Oslé Fadón, Maria Renea, Sérgio Amaral, Oscar Herrero, Maria Sierra, José Loura, Dandra Silva, Alexandro Bayón, Sara Ortin, José Juan Olalde, Maria João (espinho),
dança: Mafalda Cancela,
música: Alberto Augusto Miranda (vila do conde), Carlos Marques (barcelos)
poesia: Aurelino Costa (argivai), Carlos Vinagre (espinho), António Pedro Ribeiro (porto), Henrique Dória (porto), Susana Guimaraens (vila nova de gaia), Luís Serguilha (famalicão),Carlos Durão (galiza), Iolanda Aldrei (compostela), Virgílio Liquito (porto)
pintura: Elisabete Pires Monteiro (boticas),
pensamento: Alexandre Teixeira Mendes (porto), Henrique Dória (porto)
fotografia: Mariis Capela (sintra), carlos silva (porto),
instalação: Narcisa Nené Barbosa (porto),

Lucia Lopez (baiona), António Pinheiro (póvoa de varzim) ,

Contributos:






Fazeres peninsulares


Entre as ondas do mar e os picos dos montes
há um pedaço de terra que teima em ficar
nos traços mais ou menos coloridos das estações do ano.
As fardas dos exércitos de quando em quando
esventram esses lugares de promissão
que teimosamente vão sobrevivendo a tantas loucuras.
Pesínsula, a nossa, designada de Ibérica
que acolhe povos diversos em sã complementaridade.
Depois de tanto penar, neste pedaço do mundo
os tons, os sons, as grafias, os pensamentos...
unem-se agora num querer próximo
que o futuro há-de poder realizar!

Sarmento Manso



*****************

dança...

fotografia de: mariis capela

***


Fitei - Voalá 079

fotografia de: carlos silva


***

As navalhas da densidade metafórica arrancadas ao sangue primitivo-estelar das esfinges sobrevivem às desassossegadas ancas das víboras (cavalgada irremissivelmente escoada na respiração vivaz das coincidências das baleeiras-filiais-da-semanturgia onde o geografismo de PAVESE leva os equinócios dos fluxos corporais, a nutrição dos asteróides até ao ÓREKSIS de LANGHE): rotas feiticeiras dos gadanhos-dos-pilotos farejadores das cabeleiras-vegetais-dos-elefantes-paradisíacos OU dos TARAHUMARA de ARTAUD ou das flechas giratórias-iluminadas pela imobilidade das escutas-das-faúlhas-arteriais: embriaguez das desflorações oculares/angulares a elevar a pulsação do Alasca-poético quando a ciência abismada dos látegos-dos-refúgios se inclina na exposição do minucioso bicho descobridor da rosa-embrionária-dos-furacões e do AIÔN da vastidão LAVORARE STANCA: flexível ascensão dos bichos-das-filigranas-das-crateras como bandos concêntricos e sazonados a descerrarem as vozes das campânulas nas probabilidades-da-gravitação da astralidade que reúne as arquitecturas luminosas das cesuras “Gaudí-acrobático” para embalarem e lapidarem os compromissos das gargantas migratórias nos últimos chamamentos das onomatopeias matinais:

(continuar a leitura aqui)

texto de: Luís Serguilha


***

Irmão corpo

O teu corpo não é teu:
é dele; mas és tu,
que manda, nele;
com carinho, com amor;
mas, a dor, é tua, e o prazer.
O teu corpo não és tu:
é irmão, teu, e não tem
querer: és tu que tem
de ter: pois diz-lho, assim!
Ele, só, se quer, a si:
tu qué-lo, a ele, e a ti;
mas, afinal, és tu,
que tem: de decidir...

poema de: carlos durão



***

Proposta, …



Esquecera-me do sítio. Não fluía Luar, ou coisa parecida. Sibilava-me o ar seco, reverberando-me…

Em volta da língua.

Da terra, fluíam os vapores, as humidades, que nos toca.

Estava perdido, de esquecimento, do que ousara ter, algum dia, de luz fosca, de não ter feito.

Não estava, ainda, corroído, porém, mas, estrafegado. A noite, que se fora, não me deixara da dor. Mais uma vez, me aturdira: ouvia: procura o teu esquecimento, é quase te amigo, luz intrínseca que te acompanha. Serás forte, nem que o guardanapo sofra, de nostalgia, da tua amante Companheira. Por ali te quedaste, por lá a encontrarás.

(continue a ler este texto aqui)

texto de: virgílio liquito

4.7.10

las raizes i ls fruitos (contributos)

fotografia de: elisabete pires monteiro


fotografia de: inês simões

fotografia de: carlos silva

performance bichual de poma fidiró

fotografia: eva garcia

28.6.10

las raizes i ls fruitos (palaçoulo - miranda do douro)


Inscritos:

Carlos Vinagre (poesia, espinho), Pedro Jordão (fotografia, canidelo), Carlos Silva (fotografia, porto), Sandra Guerreiro Dias (poesia, coimbra) , Iolanda Aldrei (poesia, imagem,) Fátima Vale (performance, serapicos), Bruno Miguel Resende (performance, matosinhos), Manoel Bonabal (pintura, galiza), Eva García (fotografia, santiago compostela), Rute Oliveira (poesia, coimbra), Terra na Boca (porto), Henrique Dória (mondim de basto), Inês Simões (fotografia, espinho)

27.6.10

esquecimento (espinho): lançamento do livro

livro de: bruno miguel resende
filo-café de espinho: o esquecimento

21.6.10

filo-café: esquecimento - contributos

galaaz


a memória

pintura de: elisabete pires monteiro

***************






fotografia de: carlos silva


***

Jacob partiu


Repetiam sem pausa “Amen”

Enclausurados na antiga Cripta

Permaneciam fixos com a alma dada

E a sensualidade amordaçada

Para que Deus estavam eles virados?


O Poeta morreu, mas jazia entranhado

Em cada pedra exaltada

Outrora por aquele mal-amado,

Daqueles que queriam a verdade.


“Como Senhores, permanecem ainda por aí

Nessa ilha impalpável,

Labirinto de pensamentos cruzados,

No meio dessas Gárgulas de pedra fossilizadas?


Como viveram com a negação da Puberdade,

O enterro de todo passado,

O odor da vulva nunca ousado,

O Labor como única armada

E o esquecimento como meta alcançada?


Continua ele a vaguear nesse lugar falado?

Subterrâneos ocultos àqueles á terra fixados

Os Dados serão lançados até ao tempo inalcançável

Quem os calará?


poesia de: elisabete pires monteiro

***

t(u)o-que-é(e)s-c(s)im-e-em-tu(o) tu-és de-muita-fé


a poesia

é que é ------ cimento

é que é

és-(que)-é-cimento,

arre – fé – no – cimento,

esque-c-imento.


(…)


os poetas são

portanto

pessoas de muita fé,

com pouca fé no cimento

portanto,


per-du-ra-do-res (per-duram?) -----------

pen-du-ra-do-res (penduram-se nas dores?) ------------

per-da-do-res (per de per e dores de dores?) -----------

per-de-do-res (maus perdedores?) --------------

perde-dores (perdem-se por dores?) ------------

pe-de-dores (pedincham dores?) ----------------



POR-TANTO


por tanto, pre-da-do-res por tanto muito mais que tanto tanto mais que,


ISTO É


perduram (-se) nas palavras -------------

penduram (-se) nas palavras ---------------

per-dão-se através de, nas palavras -----------

perdem (-se) de por palavras ----------------


perdem as palavras (se)

pedem as palavras (se)


se


para não caírem em – és - és-que-cimento

no cimento

em es-quen-tamento

em es-ta-rre-ci-mento

em tu-es-que-ci-men-to-que ------- és?


(…)


os poetas escrevem

para não se esquecerem de nada,

como se fossem às compras

aviar a cesta,


como se fossem esquece-dores

como se se esquecessem das dores

como se não se lembrassem de nada

como se não, não pudessem nada

como se fosse possível o cimento

como se fosse possível o esquecimento

como se


nada pudessem


esquecer-se


de nada


pudessem


esquecer-se


pudessem esquecer.,-------se


se se pudessem esquecer


a-que-cer


a-quem-ser


de-quem-ser


o-que-se


ser-que


o-que-ser,


(…)


os poetas


não escreviam nada,


não és- o-que-viam?


nada


o que entre-viam?


nada


o que entre-entre-tanto-viam?


nada


o que entre-entre-tanto-esqueciam?


nada.


(…)


a poesia

é que é

és

esquecimento.


poema de: sandra guerreiro dias

dito por: sandra guerreiro dias e rute oliveira







pintura de:

Texto 1
silêncio duradouro nos olhares arqueados. Um órfão na terra inventa as alavancas do deserto, a arqueologia da esfinge, o (re)nascimento do não-sentido e um homem de reminiscências solares abandona o espaço dos tumultos e entra na floresta isotrópica. em todas as direcções o homem é idêntico a ele mesmo. em todas as direcções o grito de Deus é o grito de toda a ausência.
os aposentos sábios das fábulas, a dispersão das calamidades, a descoberta da instrução do livro-do-VAZIO, das mordeduras raras, da voz-iniciática, das lenhas cosmogónicas onde o cloro dos mosquitos-cranianos e as teclas dos anarquistas-das-linhas-de-
comboio como um compêndio de construções corporais envenenam as elásticas expectativas do triângulo das eiras.

vegetal-tijolo-golpes-de-irradiações(correntes eléctricas dos crustáceos). Túnicas-de-transparências de Michaux nas aguarelas de HÔGAN DAIDÔ.

(continue a ler este texto aqui)

texto de: Luís Serguilha

19.6.10

esquecimento (espinho): reportagem



fotografia de: carlos silva

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desenhos de: manoel bonabal

10.6.10

esquecimento (espinho): performance










(bruno miguel resende & fátima vale)

esquilia divinorum



carlos silva


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25.4.10

crise / crítica (vigo): reportagem







pintura de: manoel bonabal barreiro

















fotografado por: miguel angel alonso diz

24.4.10

crise/crítica (vigo)



Contributos:



fotografias de: carlos silva


****
a crise decisiva


vídeo de: elisabete pires monteiro
interpretação de: andré da graça gomes
texto de: alexandre teixeira mendes
voz de: alberto augusto miranda
música de: razorman

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dito por: virgílio liquito
vídeo de: maria joão marques

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HOXE É ONTE

Hoxe é onte

A choiva erguera a súa man
con medo a mollarnos

quizais por iso estaba triste…

A noite chegara máis cedo que de costume
e os seus dentes asemellaban estrelas orfas…

Todo era silencio no silencio…

Hoxe é onte

A lúa durmía fora do cadro
porque xa non quedaba pintura para ela

e eu… estaba canso. Estou canso.

Uns ollos vixiaban dende o norte
sementando gotiñas de luz,

pequena esperanza para o verde froito.

Unha barca espida apalpaba a terra
con húmidas lembranzas de sal e escuma.

E as árbores, moi serias,
estaban fartas de tanto conto
e axitaban teimosamente as súas follas
no intento imposíbel de voar lonxe.

Onte é hoxe..

Todo está creado
incluso antes de que eu o imaxinara.

O ceo xa era cárcere antes de que eu nacera,
e as estrelas morren nunha eterna caída
que nunca chega.
O mar está incompleto
e o seu corpo esvaecese nos recunchos dun marco
luído polo azo esborrallado.

Todo é pasado castrado
nesta comitiva de barcos fúnebres
e ollos aboiados.


Onte é hoxe

Por iso non atopo ríos novos
cos que me arrolar
neste infindo e mudo mundo

Todo é silencio no silencio

Os meus segundos son intres de desacougo
que apreixan a alma debuxada

E eu… estou canso. Estaba canso.

Mans constrúen ondas
que veñen morrer xunto a min

E os paxaros gardan a súa voz
cando intúen o meu corpo.

Nada podo facer para cambiar isto

Nada puiden facer

para cambiar isto.

Hoxe é onte.


Miguel Ángel Alonso Diz

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os cravos e a crise


ándele pois



aquelas portas de portugal
pechadas mal pechadas
ducias e centos de anos
antes do vintecinco de abril

aquelas portas que se abriron
mentres na galiza seguian
outras portas mal pechadas
moitas que se tardaron en abrir

neste filo café da negra sombra
na crise a critica e os cravos
os cravos bermellos da verdade
a memoria a creacion a construccion
as imaxes as palabras e os cantos
esas flores esas plantas e esas árbores
esas arbores e ese bosque de abril

vigo 24 de abril do 2010

este poema coa trova de abril
e as quadras a beira da casa da horta
foi a miña pequena aportacion
esta noite pasada no negra sombra

Manolo pipas

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a beira da casa da horta

quadras na beira da casa da horta

alfandega e ribeira /eses populares bairros
as tendas sacan pra rua / as hortalizas do campo

ese vello lavadeiro / esas mulleres descalzas
frotando nos seus tapetes / botando xabron e auga

cantas casas que se caen / co rumor dun vello fado
o vento traerá a chuvia / e os gatos polos telhados

e hai hortas pequeninhas / entre casas e valados
os limons do limoeiro / acidos versos que fago

un barrendeiro inmigrante / de guinea ou cavoverde
barre ecoloxia e lixo / tanta vida que se perde

cantos templos e museos / torres arcos i esculturas
segue fora o meu caminho / que na rua está a cultura

unha ponte outra ponte / o douro chegando ao mar
canta riqueza e pobreza / que parte ou que quere entrar

os rabelos na ribeira / coas suas pipas de vinho
os corpos que van e venhen / ai as veces sen sentido

ese chiar das gaivotas / i esas pombas tan caladas
e as camaras dos turistas / que non captan case nada

lavadores valadares / nomes que me son comuns
bairros da minha cidade / nomes do norte e do sul

cae a chuvia miudinha / nun banco segue deitado
de costas ao rio un home / entre o vinho e o pasado

as escadas do barredo / eses cheiros a comida
e as escadas das verdades / que antes eran das mentiras

alfandega e ribeira / eses populares bairros
segue baixando este douro / con preguntas polo baixo

e regreso minha amiga / volto pra casa da horta
fora seguen as gaivotas / dentro a casa colectiva


alfandega e ribeira o porto 10-09
Manolo pipas

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polución no teu cemiterio

Desacougados quedan teus cravos vermellos
na cinza diluída na auga escura do meu floreiro.
Pasa o tempo coma o trafego sanguíneo
de arterias aforcadas en tolemias graxentas
desasistidos miserábeis en crucifixións verdes
nos dominios de grandes corazóns enfermos,
respiracións entrecortadas i exaltadas
cando os teus ollos húmidos perden soño en destellos
e asoman asedios de pipas erectas
sobre das insinuacións marelas nas tebras
de patrias supostas no teu corpo verdescente
porque te venden, porque perdes monte
porque te quero verde mancomunada
porque te busco saudábel entre brétemas sinistras
e non sei se acaso te atopo nun punto cativo
perdido no medio da Ría que agarda
a que moitos en recuperalo perdan a vida;
mais eu sempre te desfruto enferma
e gusto de verte universal rediviva
no meu exceso volcánico de exaculación ideolóxica
porque te quero fodida antes que morta de medo
porque te rego de esperma curado de arrepío
porque cómpre saca-lo terror das tombas
nas que copulamos envelenados co tempo;
porque te alugan en nichos comunitarios
porque a cota láctea non te enche o ventre
porque te tiran en fosas miña amada rubia galega.
Pero medrarán na polución dos cadavres as serpes
coma a semente, miña amada, coma a semente.
O povo é quem mais ordena, no mar e na terra
e tamén no pube da matria nos cemiterios.
E ti, Xuntacadavres, nada sabes destes místeres
mais as tebras chamarán por ti encantadoras
cando encendamo-la utopía no ultraista burato negro
onde amamos ao demo de pirola rabela e cornos alleos.
Os tempos son chegados, querida,
pro meu deleite no teu ventre de inferno.

alfonso láuzara