descrição

"Um filo-café é um triciclo. Movimenta-se pelos próprios. Não tem petróleo. A sua combustão é activada pelo desejo. Não se paga, não se paga. Apaga-se. E vem outro. Cabeças sem trono. Um filo-café lembra-se. Desaparece sem dor."

30.7.10

Filo-Café Fazeres Peninsulares (Vila do Conde)

30 Julho 2010, 21h30m
Filo-Café: Fazeres Peninsulares
Café-Concerto
Centro Municipal da Juventude
Av. Júlio Graça
Vila do Conde


Abertas as inscrições (gratuitas) nas seguintes áreas:
artesanato, cerâmica, pensamento, música, audio-visual (máximo: 5m), poesia, pintura, pequena-comunicação, fotografia, performance.
Para inscrição, enviar mail (indicando nome e área de participação) para:
filocafes@gmail.com

A participação no filo-café pode ser feita de 2 maneiras:
1-presencial (incluindo obras)
2-virtual através da publicação no blogue:
http://filo-cafes.blogspot.com


inscritos

artesanato: Pedro Rio Bom (porto), Carla Mota (sta. maria da feira), João Gomes, Sara Teixeira, Ricardo Campos, Rosa Rosell, Pilar N. Pomeda, Carlos San Claudio Rodriguez, Andrés Oslé Fadón, Maria Renea, Sérgio Amaral, Oscar Herrero, Maria Sierra, José Loura, Dandra Silva, Alexandro Bayón, Sara Ortin, José Juan Olalde, Maria João (espinho),
dança: Mafalda Cancela,
música: Alberto Augusto Miranda (vila do conde), Carlos Marques (barcelos)
poesia: Aurelino Costa (argivai), Carlos Vinagre (espinho), António Pedro Ribeiro (porto), Henrique Dória (porto), Susana Guimaraens (vila nova de gaia), Luís Serguilha (famalicão),Carlos Durão (galiza), Iolanda Aldrei (compostela), Virgílio Liquito (porto)
pintura: Elisabete Pires Monteiro (boticas),
pensamento: Alexandre Teixeira Mendes (porto), Henrique Dória (porto)
fotografia: Mariis Capela (sintra), carlos silva (porto),
instalação: Narcisa Nené Barbosa (porto),

Lucia Lopez (baiona), António Pinheiro (póvoa de varzim) ,

Contributos:






Fazeres peninsulares


Entre as ondas do mar e os picos dos montes
há um pedaço de terra que teima em ficar
nos traços mais ou menos coloridos das estações do ano.
As fardas dos exércitos de quando em quando
esventram esses lugares de promissão
que teimosamente vão sobrevivendo a tantas loucuras.
Pesínsula, a nossa, designada de Ibérica
que acolhe povos diversos em sã complementaridade.
Depois de tanto penar, neste pedaço do mundo
os tons, os sons, as grafias, os pensamentos...
unem-se agora num querer próximo
que o futuro há-de poder realizar!

Sarmento Manso



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dança...

fotografia de: mariis capela

***


Fitei - Voalá 079

fotografia de: carlos silva


***

As navalhas da densidade metafórica arrancadas ao sangue primitivo-estelar das esfinges sobrevivem às desassossegadas ancas das víboras (cavalgada irremissivelmente escoada na respiração vivaz das coincidências das baleeiras-filiais-da-semanturgia onde o geografismo de PAVESE leva os equinócios dos fluxos corporais, a nutrição dos asteróides até ao ÓREKSIS de LANGHE): rotas feiticeiras dos gadanhos-dos-pilotos farejadores das cabeleiras-vegetais-dos-elefantes-paradisíacos OU dos TARAHUMARA de ARTAUD ou das flechas giratórias-iluminadas pela imobilidade das escutas-das-faúlhas-arteriais: embriaguez das desflorações oculares/angulares a elevar a pulsação do Alasca-poético quando a ciência abismada dos látegos-dos-refúgios se inclina na exposição do minucioso bicho descobridor da rosa-embrionária-dos-furacões e do AIÔN da vastidão LAVORARE STANCA: flexível ascensão dos bichos-das-filigranas-das-crateras como bandos concêntricos e sazonados a descerrarem as vozes das campânulas nas probabilidades-da-gravitação da astralidade que reúne as arquitecturas luminosas das cesuras “Gaudí-acrobático” para embalarem e lapidarem os compromissos das gargantas migratórias nos últimos chamamentos das onomatopeias matinais:

(continuar a leitura aqui)

texto de: Luís Serguilha


***

Irmão corpo

O teu corpo não é teu:
é dele; mas és tu,
que manda, nele;
com carinho, com amor;
mas, a dor, é tua, e o prazer.
O teu corpo não és tu:
é irmão, teu, e não tem
querer: és tu que tem
de ter: pois diz-lho, assim!
Ele, só, se quer, a si:
tu qué-lo, a ele, e a ti;
mas, afinal, és tu,
que tem: de decidir...

poema de: carlos durão



***

Proposta, …



Esquecera-me do sítio. Não fluía Luar, ou coisa parecida. Sibilava-me o ar seco, reverberando-me…

Em volta da língua.

Da terra, fluíam os vapores, as humidades, que nos toca.

Estava perdido, de esquecimento, do que ousara ter, algum dia, de luz fosca, de não ter feito.

Não estava, ainda, corroído, porém, mas, estrafegado. A noite, que se fora, não me deixara da dor. Mais uma vez, me aturdira: ouvia: procura o teu esquecimento, é quase te amigo, luz intrínseca que te acompanha. Serás forte, nem que o guardanapo sofra, de nostalgia, da tua amante Companheira. Por ali te quedaste, por lá a encontrarás.

(continue a ler este texto aqui)

texto de: virgílio liquito

4.7.10

las raizes i ls fruitos (contributos)

fotografia de: elisabete pires monteiro


fotografia de: inês simões

fotografia de: carlos silva

performance bichual de poma fidiró

fotografia: eva garcia

28.6.10

las raizes i ls fruitos (palaçoulo - miranda do douro)


Inscritos:

Carlos Vinagre (poesia, espinho), Pedro Jordão (fotografia, canidelo), Carlos Silva (fotografia, porto), Sandra Guerreiro Dias (poesia, coimbra) , Iolanda Aldrei (poesia, imagem,) Fátima Vale (performance, serapicos), Bruno Miguel Resende (performance, matosinhos), Manoel Bonabal (pintura, galiza), Eva García (fotografia, santiago compostela), Rute Oliveira (poesia, coimbra), Terra na Boca (porto), Henrique Dória (mondim de basto), Inês Simões (fotografia, espinho)

27.6.10

21.6.10

filo-café: esquecimento - contributos

galaaz


a memória

pintura de: elisabete pires monteiro

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fotografia de: carlos silva


***

Jacob partiu


Repetiam sem pausa “Amen”

Enclausurados na antiga Cripta

Permaneciam fixos com a alma dada

E a sensualidade amordaçada

Para que Deus estavam eles virados?


O Poeta morreu, mas jazia entranhado

Em cada pedra exaltada

Outrora por aquele mal-amado,

Daqueles que queriam a verdade.


“Como Senhores, permanecem ainda por aí

Nessa ilha impalpável,

Labirinto de pensamentos cruzados,

No meio dessas Gárgulas de pedra fossilizadas?


Como viveram com a negação da Puberdade,

O enterro de todo passado,

O odor da vulva nunca ousado,

O Labor como única armada

E o esquecimento como meta alcançada?


Continua ele a vaguear nesse lugar falado?

Subterrâneos ocultos àqueles á terra fixados

Os Dados serão lançados até ao tempo inalcançável

Quem os calará?


poesia de: elisabete pires monteiro

***

t(u)o-que-é(e)s-c(s)im-e-em-tu(o) tu-és de-muita-fé


a poesia

é que é ------ cimento

é que é

és-(que)-é-cimento,

arre – fé – no – cimento,

esque-c-imento.


(…)


os poetas são

portanto

pessoas de muita fé,

com pouca fé no cimento

portanto,


per-du-ra-do-res (per-duram?) -----------

pen-du-ra-do-res (penduram-se nas dores?) ------------

per-da-do-res (per de per e dores de dores?) -----------

per-de-do-res (maus perdedores?) --------------

perde-dores (perdem-se por dores?) ------------

pe-de-dores (pedincham dores?) ----------------



POR-TANTO


por tanto, pre-da-do-res por tanto muito mais que tanto tanto mais que,


ISTO É


perduram (-se) nas palavras -------------

penduram (-se) nas palavras ---------------

per-dão-se através de, nas palavras -----------

perdem (-se) de por palavras ----------------


perdem as palavras (se)

pedem as palavras (se)


se


para não caírem em – és - és-que-cimento

no cimento

em es-quen-tamento

em es-ta-rre-ci-mento

em tu-es-que-ci-men-to-que ------- és?


(…)


os poetas escrevem

para não se esquecerem de nada,

como se fossem às compras

aviar a cesta,


como se fossem esquece-dores

como se se esquecessem das dores

como se não se lembrassem de nada

como se não, não pudessem nada

como se fosse possível o cimento

como se fosse possível o esquecimento

como se


nada pudessem


esquecer-se


de nada


pudessem


esquecer-se


pudessem esquecer.,-------se


se se pudessem esquecer


a-que-cer


a-quem-ser


de-quem-ser


o-que-se


ser-que


o-que-ser,


(…)


os poetas


não escreviam nada,


não és- o-que-viam?


nada


o que entre-viam?


nada


o que entre-entre-tanto-viam?


nada


o que entre-entre-tanto-esqueciam?


nada.


(…)


a poesia

é que é

és

esquecimento.


poema de: sandra guerreiro dias

dito por: sandra guerreiro dias e rute oliveira







pintura de:

Texto 1
silêncio duradouro nos olhares arqueados. Um órfão na terra inventa as alavancas do deserto, a arqueologia da esfinge, o (re)nascimento do não-sentido e um homem de reminiscências solares abandona o espaço dos tumultos e entra na floresta isotrópica. em todas as direcções o homem é idêntico a ele mesmo. em todas as direcções o grito de Deus é o grito de toda a ausência.
os aposentos sábios das fábulas, a dispersão das calamidades, a descoberta da instrução do livro-do-VAZIO, das mordeduras raras, da voz-iniciática, das lenhas cosmogónicas onde o cloro dos mosquitos-cranianos e as teclas dos anarquistas-das-linhas-de-
comboio como um compêndio de construções corporais envenenam as elásticas expectativas do triângulo das eiras.

vegetal-tijolo-golpes-de-irradiações(correntes eléctricas dos crustáceos). Túnicas-de-transparências de Michaux nas aguarelas de HÔGAN DAIDÔ.

(continue a ler este texto aqui)

texto de: Luís Serguilha

19.6.10

esquecimento (espinho): reportagem



fotografia de: carlos silva

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desenhos de: manoel bonabal