descrição

"Um filo-café é um triciclo. Movimenta-se pelos próprios. Não tem petróleo. A sua combustão é activada pelo desejo. Não se paga, não se paga. Apaga-se. E vem outro. Cabeças sem trono. Um filo-café lembra-se. Desaparece sem dor."

27.6.10

21.6.10

filo-café: esquecimento - contributos

galaaz


a memória

pintura de: elisabete pires monteiro

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fotografia de: carlos silva


***

Jacob partiu


Repetiam sem pausa “Amen”

Enclausurados na antiga Cripta

Permaneciam fixos com a alma dada

E a sensualidade amordaçada

Para que Deus estavam eles virados?


O Poeta morreu, mas jazia entranhado

Em cada pedra exaltada

Outrora por aquele mal-amado,

Daqueles que queriam a verdade.


“Como Senhores, permanecem ainda por aí

Nessa ilha impalpável,

Labirinto de pensamentos cruzados,

No meio dessas Gárgulas de pedra fossilizadas?


Como viveram com a negação da Puberdade,

O enterro de todo passado,

O odor da vulva nunca ousado,

O Labor como única armada

E o esquecimento como meta alcançada?


Continua ele a vaguear nesse lugar falado?

Subterrâneos ocultos àqueles á terra fixados

Os Dados serão lançados até ao tempo inalcançável

Quem os calará?


poesia de: elisabete pires monteiro

***

t(u)o-que-é(e)s-c(s)im-e-em-tu(o) tu-és de-muita-fé


a poesia

é que é ------ cimento

é que é

és-(que)-é-cimento,

arre – fé – no – cimento,

esque-c-imento.


(…)


os poetas são

portanto

pessoas de muita fé,

com pouca fé no cimento

portanto,


per-du-ra-do-res (per-duram?) -----------

pen-du-ra-do-res (penduram-se nas dores?) ------------

per-da-do-res (per de per e dores de dores?) -----------

per-de-do-res (maus perdedores?) --------------

perde-dores (perdem-se por dores?) ------------

pe-de-dores (pedincham dores?) ----------------



POR-TANTO


por tanto, pre-da-do-res por tanto muito mais que tanto tanto mais que,


ISTO É


perduram (-se) nas palavras -------------

penduram (-se) nas palavras ---------------

per-dão-se através de, nas palavras -----------

perdem (-se) de por palavras ----------------


perdem as palavras (se)

pedem as palavras (se)


se


para não caírem em – és - és-que-cimento

no cimento

em es-quen-tamento

em es-ta-rre-ci-mento

em tu-es-que-ci-men-to-que ------- és?


(…)


os poetas escrevem

para não se esquecerem de nada,

como se fossem às compras

aviar a cesta,


como se fossem esquece-dores

como se se esquecessem das dores

como se não se lembrassem de nada

como se não, não pudessem nada

como se fosse possível o cimento

como se fosse possível o esquecimento

como se


nada pudessem


esquecer-se


de nada


pudessem


esquecer-se


pudessem esquecer.,-------se


se se pudessem esquecer


a-que-cer


a-quem-ser


de-quem-ser


o-que-se


ser-que


o-que-ser,


(…)


os poetas


não escreviam nada,


não és- o-que-viam?


nada


o que entre-viam?


nada


o que entre-entre-tanto-viam?


nada


o que entre-entre-tanto-esqueciam?


nada.


(…)


a poesia

é que é

és

esquecimento.


poema de: sandra guerreiro dias

dito por: sandra guerreiro dias e rute oliveira







pintura de:

Texto 1
silêncio duradouro nos olhares arqueados. Um órfão na terra inventa as alavancas do deserto, a arqueologia da esfinge, o (re)nascimento do não-sentido e um homem de reminiscências solares abandona o espaço dos tumultos e entra na floresta isotrópica. em todas as direcções o homem é idêntico a ele mesmo. em todas as direcções o grito de Deus é o grito de toda a ausência.
os aposentos sábios das fábulas, a dispersão das calamidades, a descoberta da instrução do livro-do-VAZIO, das mordeduras raras, da voz-iniciática, das lenhas cosmogónicas onde o cloro dos mosquitos-cranianos e as teclas dos anarquistas-das-linhas-de-
comboio como um compêndio de construções corporais envenenam as elásticas expectativas do triângulo das eiras.

vegetal-tijolo-golpes-de-irradiações(correntes eléctricas dos crustáceos). Túnicas-de-transparências de Michaux nas aguarelas de HÔGAN DAIDÔ.

(continue a ler este texto aqui)

texto de: Luís Serguilha

19.6.10

esquecimento (espinho): reportagem



fotografia de: carlos silva

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desenhos de: manoel bonabal

10.6.10

esquecimento (espinho): performance










(bruno miguel resende & fátima vale)

esquilia divinorum



carlos silva


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25.4.10

crise / crítica (vigo): reportagem







pintura de: manoel bonabal barreiro

















fotografado por: miguel angel alonso diz

24.4.10

crise/crítica (vigo)



Contributos:



fotografias de: carlos silva


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a crise decisiva


vídeo de: elisabete pires monteiro
interpretação de: andré da graça gomes
texto de: alexandre teixeira mendes
voz de: alberto augusto miranda
música de: razorman

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dito por: virgílio liquito
vídeo de: maria joão marques

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HOXE É ONTE

Hoxe é onte

A choiva erguera a súa man
con medo a mollarnos

quizais por iso estaba triste…

A noite chegara máis cedo que de costume
e os seus dentes asemellaban estrelas orfas…

Todo era silencio no silencio…

Hoxe é onte

A lúa durmía fora do cadro
porque xa non quedaba pintura para ela

e eu… estaba canso. Estou canso.

Uns ollos vixiaban dende o norte
sementando gotiñas de luz,

pequena esperanza para o verde froito.

Unha barca espida apalpaba a terra
con húmidas lembranzas de sal e escuma.

E as árbores, moi serias,
estaban fartas de tanto conto
e axitaban teimosamente as súas follas
no intento imposíbel de voar lonxe.

Onte é hoxe..

Todo está creado
incluso antes de que eu o imaxinara.

O ceo xa era cárcere antes de que eu nacera,
e as estrelas morren nunha eterna caída
que nunca chega.
O mar está incompleto
e o seu corpo esvaecese nos recunchos dun marco
luído polo azo esborrallado.

Todo é pasado castrado
nesta comitiva de barcos fúnebres
e ollos aboiados.


Onte é hoxe

Por iso non atopo ríos novos
cos que me arrolar
neste infindo e mudo mundo

Todo é silencio no silencio

Os meus segundos son intres de desacougo
que apreixan a alma debuxada

E eu… estou canso. Estaba canso.

Mans constrúen ondas
que veñen morrer xunto a min

E os paxaros gardan a súa voz
cando intúen o meu corpo.

Nada podo facer para cambiar isto

Nada puiden facer

para cambiar isto.

Hoxe é onte.


Miguel Ángel Alonso Diz

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os cravos e a crise


ándele pois



aquelas portas de portugal
pechadas mal pechadas
ducias e centos de anos
antes do vintecinco de abril

aquelas portas que se abriron
mentres na galiza seguian
outras portas mal pechadas
moitas que se tardaron en abrir

neste filo café da negra sombra
na crise a critica e os cravos
os cravos bermellos da verdade
a memoria a creacion a construccion
as imaxes as palabras e os cantos
esas flores esas plantas e esas árbores
esas arbores e ese bosque de abril

vigo 24 de abril do 2010

este poema coa trova de abril
e as quadras a beira da casa da horta
foi a miña pequena aportacion
esta noite pasada no negra sombra

Manolo pipas

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a beira da casa da horta

quadras na beira da casa da horta

alfandega e ribeira /eses populares bairros
as tendas sacan pra rua / as hortalizas do campo

ese vello lavadeiro / esas mulleres descalzas
frotando nos seus tapetes / botando xabron e auga

cantas casas que se caen / co rumor dun vello fado
o vento traerá a chuvia / e os gatos polos telhados

e hai hortas pequeninhas / entre casas e valados
os limons do limoeiro / acidos versos que fago

un barrendeiro inmigrante / de guinea ou cavoverde
barre ecoloxia e lixo / tanta vida que se perde

cantos templos e museos / torres arcos i esculturas
segue fora o meu caminho / que na rua está a cultura

unha ponte outra ponte / o douro chegando ao mar
canta riqueza e pobreza / que parte ou que quere entrar

os rabelos na ribeira / coas suas pipas de vinho
os corpos que van e venhen / ai as veces sen sentido

ese chiar das gaivotas / i esas pombas tan caladas
e as camaras dos turistas / que non captan case nada

lavadores valadares / nomes que me son comuns
bairros da minha cidade / nomes do norte e do sul

cae a chuvia miudinha / nun banco segue deitado
de costas ao rio un home / entre o vinho e o pasado

as escadas do barredo / eses cheiros a comida
e as escadas das verdades / que antes eran das mentiras

alfandega e ribeira / eses populares bairros
segue baixando este douro / con preguntas polo baixo

e regreso minha amiga / volto pra casa da horta
fora seguen as gaivotas / dentro a casa colectiva


alfandega e ribeira o porto 10-09
Manolo pipas

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polución no teu cemiterio

Desacougados quedan teus cravos vermellos
na cinza diluída na auga escura do meu floreiro.
Pasa o tempo coma o trafego sanguíneo
de arterias aforcadas en tolemias graxentas
desasistidos miserábeis en crucifixións verdes
nos dominios de grandes corazóns enfermos,
respiracións entrecortadas i exaltadas
cando os teus ollos húmidos perden soño en destellos
e asoman asedios de pipas erectas
sobre das insinuacións marelas nas tebras
de patrias supostas no teu corpo verdescente
porque te venden, porque perdes monte
porque te quero verde mancomunada
porque te busco saudábel entre brétemas sinistras
e non sei se acaso te atopo nun punto cativo
perdido no medio da Ría que agarda
a que moitos en recuperalo perdan a vida;
mais eu sempre te desfruto enferma
e gusto de verte universal rediviva
no meu exceso volcánico de exaculación ideolóxica
porque te quero fodida antes que morta de medo
porque te rego de esperma curado de arrepío
porque cómpre saca-lo terror das tombas
nas que copulamos envelenados co tempo;
porque te alugan en nichos comunitarios
porque a cota láctea non te enche o ventre
porque te tiran en fosas miña amada rubia galega.
Pero medrarán na polución dos cadavres as serpes
coma a semente, miña amada, coma a semente.
O povo é quem mais ordena, no mar e na terra
e tamén no pube da matria nos cemiterios.
E ti, Xuntacadavres, nada sabes destes místeres
mais as tebras chamarán por ti encantadoras
cando encendamo-la utopía no ultraista burato negro
onde amamos ao demo de pirola rabela e cornos alleos.
Os tempos son chegados, querida,
pro meu deleite no teu ventre de inferno.

alfonso láuzara